Curiosidades
Onde são fabricados
Conheça onde são produzidos os melhores vinhos do mundoPor uma série de razões climáticas, a "vitis vinifera", uva responsável pela produção do vinho de qualidade, só vinga em duas faixas bem delimitadas do planeta: Entre os paralelos 30 e 50 ao Norte e os paralelos 30 e 50 ao Sul da linha do Equador. Veja, abaixo, os países produtores que encontram-se nessas faixas.

* número indicativo da representação de cada país na produção mundial de vinho.
Portanto, trata-se de uma bebida de estrutura complexa, "viva", em constante evolução, que apresenta características diversas nos diferentes momentos de sua "jornada". Essa é a grande e sedutora magia dessa bebida.
AÇÃO DO VINHO COMO COMPLEMENTO ALIMENTAR
Alguns elementos de sua composição fazem parte da dieta normal e necessária para o ser humano. Entre seus múltiplos componentes, podemos destacar:
- ÁGUA
Cerca de 80% do vinho é constituído de água. O corpo humano por sua vez, se compõe de três quartas partes desse elemento. Pode portanto contribuir para a hidratação. - AÇÚCARES
No processo da fermentação, o açúcar da uva representado pela glicose e frutose, é transformado em álcool, porém, uma certa quantidade residual permanece (cerca de 1 a 3g/l nos vinhos secos) sem se transformar, somada aquela representada por açúcares que não se degradam pela ação das leveduras, como a pentose, arabinose e xilose. No caso dos vinhos secos essas quantidades são praticamente desprezíveis, mas no caso dos vinhos doces, passam a ser significativas. - VITAMINAS
A uva contém em sua composição uma série de vitaminas que são transferidas para o vinho. As principais detectadas são: B1 (TIAMINA - B2 (RIBOFLAVINA) - NIACINA (ÁCIDO NICOTÍNICO) - B6 (PIRIDOXINA) - B12 (COBALAMINA) - A (RETINOL) - C (ÁCIDO ASCÓRBICO). Cada uma delas funcionando como catalisadores nas reações orgânicas e ação preventiva de doenças específicas, como a Tiamina na prevenção do Beri-Beri. - SAIS MINERAIS
O vinho possui uma quantidade significativa de oligoelementos como: Potássio, Cálcio, Fósforo, Zinco, Cobre, Flúor, Alumínio, Iodo, Magnésio, Boro, etc. - ÁLCOOL ETÍLICO
A participação do álcool na composição do vinho gira em torno de 7 a 14 g/litro, nos vinhos secos, que são os mais comumente consumidos. Esse dado vem expresso no rótulo em % ou GL (Gay Lussac), que traduz a porcentagem ou teor por volume.
Sabe-se que o álcool é uma substância calórica que gera energia, sendo essa sua atuação no organismo.
O corpo humano tem a capacidade de metabolizar cerca de 1 g de álcool por quilo de peso, por dia (1g/kg/dia). Trata-se de quantidade máxima, não ideal. Por outro lado, 1g de álcool produz aproximadamente 7 calorias. Com base nesses dados, fica fácil estabelecer-se qual a exata quantidade de calorias que se pode oferecer numa dieta, incluindo o vinho.
Inclusive as pessoas em regime de emagrecimento podem calcular sua dose, podendo desfrutar de seu vinho sem culpa ou constrangimento.
Não se pode esquecer que o consumo deve ser moderado, porque o excesso vai impregnar os tecidos, funcionando de maneira tóxica, sobretudo no fígado. Cabe lembrar que o álcool excedente no sangue é que causa a embriaguez, e não aquele assimilado.
CONSUMO MODERADO
O consumo moderado de vinho tem seu cálculo originado em trabalhos científicos, laborados paralelamente àqueles feitos para esclarecer sua ação terapêutica. Assim, podemos estabelecer a seguinte tabela:
- HOMEM
40g de álcool por dia (aproximadamente, dependendo do peso)
Aproximadamente 1/4 de garrafa/dia - MULHER
20g de álcool por dia (aproximadamente, dependendo do peso)
Aproximadamente metade da dose do homem
AÇÃO TERAPÊUTICA DO VINHO
A Universidade de Bordeaux realizou inúmeros estudos e experimentos para elucidar o chamado "PARADOXO FRANCÊS", segundo o qual a população daquele país apesar de uma dieta extremamente gordurosa, apresentava índices baixíssimos da incidência de doenças coronarianas. Depois de exaustivas pesquisas, chegou-se à conclusão que o elemento responsável por esse fenômeno era o consumo de vinho em doses moderadas. O estudo se estendeu à incidência de outras doenças como o câncer de mama e doenças hepáticas. A pesquisa levou em conta as diferenças de condições de vida, o aspecto físico, hábitos alimentares, etc., reunindo três grupos de indivíduos relativamente ao consumo de vinho:
- ABSTÊMIOS
- CONSUMIDORES MODERADOS
- CONSUMIDORES EXCESSIVOS
O resultado foi o seguinte:
- Incidência ALTA das moléstias no grupo de abstêmios
- Incidência BAIXA das moléstias nos consumidores moderados
- Incidência ALTA das moléstias nos consumidores excessivos
Os estudos levaram em conta quantidades variáveis da bebida até atingir aquela considerada por definição MODERADA.
A seqüência dos estudos estabeleceu qual a ação e os elementos do vinho que agem na prevenção da Doença Coronariana. Assim, ficou evidente que a ação se faz fundamentalmente junto aos índices de Colesterol, promovendo aumento da fração conhecida por HDL que é a lipoproteína de densidade alta desse elemento, sendo chamada de "bom colesterol". Sabe-se que Colesterol e Triglicérides estão envolvidos com depósitos nas paredes dos vasos coronarianos, promovendo seu estreitamento até à obstrução completa (infarto do miocárdio). Outra ação é aquela que evita a agregação de plaquetas, elementos celulares encontrados no sangue envolvidos nos fenômenos de coagulação. Essa agregação leva à formação de trombos, verdadeiras "rolhas" que vão obliterar a luz do vaso, impedindo a livre circulação do sangue.
COMPONENTES DO VINHO COM AÇÃO TERAPÊUTICA
Existem dois grandes grupos de substâncias no vinho, que atuam evitando a situação acima referida, alem de atuarem com ação anti-fúngica, anti-virótica, anti-bacteriana e anti-oxidante, na captação de radicais livres. Sabe-se que a oxidação celular está presente nos processos metabólicos do envelhecimento celular. Eis as principais substâncias:
COMPONENTES FENÓLICOS
Que se dividem em FLAVONOIDES E NÃO FLAVONOIDES
FLAVONOIDES
- CATEQUINAS (Procianidinas nas sementes e polpa)
- FLAVONOIS (casca)
- ANTOCIANIDOIS (casca)
- EPICATEQUINA
- MALVIDINA
- CIANIDINA
- MIRICETINA
- QUERCITINA
NÃO FLAVONOIDES
- ÁCIDO BENZÓICO (Ac. hidrocinâmico da polpa)
- ESTILBENO (onde se encontra o RESVERATROL , principal substância na ação terapêutica)
- ÁCIDO CAFEICO
- ÁCIDO SINÁPICO
Finalmente, cabe ressaltar que o vinho age ainda como diurético, vaso-dilatador periférico, além de atuar como anti-depressivo, desinibidor, relaxante e grande evocador de otimismo. Como se pode constatar, o vinho em doses moderadas é benéfico e com prazer...
Por todos esses títulos podemos encerrar recomendando ao leitor que ao brindar com uma taça de vinho, diga alto, bom som e com razão:
Dr. Daniel Pinto
Médico e Diretor de Degustação da SBAV-SP