Curiosidades
Segredos
Não existem regras fixas.
A primeira e mais importante regra é saber que não há regras fixas e rígidas para consumir vinho. As normas convencionais derivam de um consenso e não da imposição de algum expert. Mais importante do que segui-las é saber como e quando desobedece-las. Como os países europeus têm o clima mais frio que o do Brasil, as tais normas devem ser interpretadas tendo em conta esse fato. Por exemplo: uma das mais conhecidas é a que recomenda servir vinhos tintos à temperatura ambiente. Acontece que a temperatura ambiente em Paris, Roma ou Berlim é bem diferente, seja qual for a época do ano, da temperatura ambiente no verão carioca, paulista ou mesmo gaúcho. Por isso, você não cometerá nenhum sacrilégio se refrescar um vinho tinto, deixando-o durante alguns minutos na parte mais baixa de um refrigerador (mas nunca o coloque no congelador ou no freezer).
Vinho deve valorizar o prato.
Outra forma universalmente aceita é a que manda servir vinhos brancos para acompanhar carnes brancas (aves, peixes, crustáceos). Na verdade, o vinho branco pode acompanhar qualquer prato, até mesmo os de massas, tradicionalmente identificados pelos italianos com os vinhos tintos. O importante é que o vinho valorize o prato que você escolheu.
Quando evitar o tinto.
Ao contrário dos vinhos brancos, os tintos exigem alguns cuidados e não são compatíveis com qualquer tipo de comida. Eles são especialmente recomendáveis para acompanhar queijos, carnes de vaca e de porco, caças, presuntos, etc. Mas, em nenhuma hipótese, devem acompanhar saladas temperadas com vinagre, crustáceos ou pratos com molho branco. Um pecado ainda mais grave se comete ao servir vinho tinto com sobremesas de doces ou chocolate.
O branco vem primeiro.
Se você vai tomar mais de um vinho à refeição, lembre-se de que o branco deve ser servido antes do tinto (que tem sabor mais forte). A única exceção são os vinhos brancos adocicados, que devem ser servidos à sobremesa. Do mesmo modo, os vinhos mais jovens devem vir antes dos envelhecidos. Nessa hierarquia, o melhor vinho fica sempre para o final da refeição, para que a boca conserve o melhor sabor. Para acompanhar a sobremesa, o vinho ideal é um champanhe demisec. Os champanhes secos só devem ser tomados como aperitivo ou muito depois das refeições.
Rosé não é proibido.
Os vinhos rosé são considerados os preferidos de quem não gosta muito de vinho. Sem nuances, sem personalidade, os rosé são muito consumidos no Brasil apenas por sua leveza e bouquet suave. Seu consumo poderá diminuir à medida que o hábito de beber vinho tornar-se mais difundido entre nós. Mas não se atemorize quem ainda gosta mais de um rosé do que de um tinto ou branco. Nesse caso é melhor ficar satisfeito, do que ser um connaisseur frustrado ...
Vinhos jovens não precisam respirar.
Lembre-se de que os vinhos jovens (engarrafados recentemente) devem ser abertos uma ou duas horas antes de serem servidos, para que se oxigenem, o que melhorará sensivelmente o seu sabor. Mas se você tem na adega um vinho mais antigo, pode abrir a garrafa na hora de servi-lo: ele já foi suficientemente oxigenado durante os anos de envelhecimento. No entanto, antes de abrir a garrafa, verifique se não há um depósito (borra) no fundo. Se houver, evite agitar a garrafa e transfira o vinho para uma jarra, deixando para trás o depósito.
Copo colorido jamais.
Imperdoável equívoco é servir vinhos em copos coloridos, que não permitam apreciar a tonalidade da bebida. O vinho deve ser bebido sempre em copos transparentes. A propósito, se você vai a um jantar em que lhe servem vinho sem que a garrafa seja mostrada, pode arriscar um palpite sobre a idade do vinho apenas pelo aspecto: se sua cor é um vermelho rubi, bem vivo, pode ter certeza de que é um vinho jovem. E se for mais escura, quase acastanhada, trata-se de um vinho mais envelhecido.
Provar é preciso.
No restaurante, o garçom sempre serve um pouco de vinho no copo do cavalheiro e espera que este prove e aprove o vinho servido. Aparentemente, é apenas um ritual de gentilezas. Mas, sabendo-se que são poucos os restaurantes que conservam criteriosamente o seu estoque de vinhos, há sempre a possibilidade de, ao provar, você descobrir que seu vinho está avinagrado ou ácido. Nesse caso, o velho ritual o salvará - e à sua garota - de beber vinagre.
Da casa? Não obrigado.
Outra sábia cautela em restaurantes é evitar os chamados Òvinhos da casaÓ. No Brasil, são invariavelmente vinhos de má qualidade, ou, ainda pior, restos de vinho misturados.
Preço não significa qualidade.
Nunca escolha um vinho só pelo preço. É raro o restaurante que guarda em sua carta de vinhos uma proporção correta entre qualidade e preço. Um exemplo: os Beaujolais são vinhos populares na França mas no Brasil basta um rótulo francês para justificar preços exagerados (em todo o caso, se você quiser tomar um Beaujolais, peça, pelo menos, um da vindima de 1976) . Quem não é connaisseur não resolverá seu problema pagando caro. Será mais razoável pedir um vinho mais barato - um argentino, um chileno ou um bom nacional - do que tentar impressionar a parceira, ou, pior ainda, o maître. Mas para se tornar aos poucos um expert, convém se informar na teoria* ou na prática - freqüentando boas lojas de vinhos (ninguém deve ter vergonha de fazer perguntas sobre a qualidade, procedência, etc.) ou, melhor ainda, experimentando um novo vinho, fazendo de cada descoberta um novo prazer.